Sempre fui bem claro em demonstrar ser contra remakes. Porque, vejamos, como melhorar algo que já foi muito bem estabelecido? Contudo, queimei a língua com diversas refilmagens, vide Deixe-me Entrar e A Hora do Espanto, que conseguem em certos pontos corrigir alguns erros dos longas originais, e inclusive, superá-los. Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres, é mais um desses filmes citados que conseguem apresentar um material tão bom que justifica sua produção.

David Fincher (A Rede Social) apresenta em seu primeiro remake no cinema um longa bem mais soturno e com uma trama policial investigativa bem mais interessante que o longa sueco de 2009.
Ele agrada em não americanizar os personagens e demonstra seu talento já conhecido em saber extrair o de melhor nos atores.
Muitos achavam que seria impossível uma atriz ficar tão impressionante com piercings e tatuagens como a Noomi Rapace no filme original, mas surpreendentemente, Rooney Mara desempenhou tão bem e em algumas cenas até melhor o papel da hacker Lisbeth Salander. E o que dizer de Daniel Craig, classificado como um ator que apresenta sempre as mesmas feições? Aqui, vemos mais uma vez o dedo de Fincher em saber trabalhar o ator, que aqui demonstra um carisma e uma evolução não vista antes. No início, vemos um Craig com um olhar perdido e angustiado, coisa rara de se ver no ator com cara de brucutu.
A trama começa com a acusação de Mikael Blomkvist (Craig) de difamação por uma matéria escrita em sua revista sobre um rico empresário. Após um período em decadência, o jornalista conhecido pelo excelente capacidade investigativa, recebe um convite para investigar um desaparecimento de uma jovem em 1966, sobrinha do milionário Henrik Vanger (Christopher Plummer), que acha que sua família está envolvida no caso. Blomkvist, contará com a ajuda da hacker Lisbeth Salander (Mara), uma jovem problemática de passado violento, mas muito eficaz.
O roteiro de Steve Zaillian consegue manter o foco investigativo do começo ao fim. Quase não percebemos os 158 minutos do filme, devido aos vários clímax que o longa propõe. Enquanto no original, vemos uma Lisbeth mais sisuda, aqui, vemos uma personagem mais frágil e sofrida. Todo o visual punk com piercings e tattoos, são na verdade mecanismos de defesa encontrados por ela para esconder sua real personalidade. O resultado é excelente com Rooney Mara se entregando totalmente ao papel.
Merecem destaque também a bela fotografia de Jeff Cronenweth, usando uma paisagem escura e fria da Suécia (em alguns momentos claustrofóbicos) com o clima de suspense presente em toda a história. Em sua segunda parceria com David Fincher, Trent Reznor (ganhador do Oscar por A Rede Social) repete a mesma competência de antes com uma trilha silenciosa e delicada nos momentos certos, mas também impactante como na cena inicial do longa. Uma pena que a academia do Oscar não tenha lembrado do seu trabalho desta vez.
O único erro do filme foi de forçar demais a relação entre Lisbeth e Mikael. Os minutos finais do longa são totalmente desnecessários, já que tudo havia sido desenvolvido. Uma simples cena, acabou desconstruindo todo o cenário apresentado entre os personagens.
Mas, isso não tira o brilho da excelente produção que já garantiu a continuação com A Menina que Brincava com Fogo, segundo livro da série. Mesmo tendo uma versão sueca e ser fã do trabalho de Noomi Rapace, ficarei na espera pelo retorno de David Fincher (ainda sem contrato para o segundo filme) e Rooney Mara (já com contrato assinado) para a sequência.
E sim, a jovem atriz merece todo o destaque pelo filme e a merecida indicação ao Oscar de Melhor Atriz.
NOTA: 9,0/10
O único erro do filme foi de forçar demais a relação entre Lisbeth e Mikael. Os minutos finais do longa são totalmente desnecessários, já que tudo havia sido desenvolvido. Uma simples cena, acabou desconstruindo todo o cenário apresentado entre os personagens.
Mas, isso não tira o brilho da excelente produção que já garantiu a continuação com A Menina que Brincava com Fogo, segundo livro da série. Mesmo tendo uma versão sueca e ser fã do trabalho de Noomi Rapace, ficarei na espera pelo retorno de David Fincher (ainda sem contrato para o segundo filme) e Rooney Mara (já com contrato assinado) para a sequência.
E sim, a jovem atriz merece todo o destaque pelo filme e a merecida indicação ao Oscar de Melhor Atriz.
NOTA: 9,0/10








